Resenha: Serena, Ian McEwan

Por Bel Farias (Twitter @Bel_Larie)



O livro Serena é mais uma linda obra de ficção do escritor britânico Ian McWean e foi lançado em primeira mão na FLIP deste ano, que ocorreu de 04 a 08 de julho em Paraty, aqui no Rio de Janeiro.
Serena se mostra um romance forte e cheio de expectativas e o autor desenvolveu a narrativa em primeira pessoa sem soar falso e criou uma personagem cativante do início ao fim. Com uma mistura singela de romance, intelectualidade e espionagem, retrata os segredos e a parcialidade na convivência humana e a fragilidade dos relacionamentos.
O livro, segundo Ian, nasceu de uma nota que o autor deixou rabiscada em um de seus cadernos de lembrete, que dizia “Escrever um romance no qual um homem tenta se livrar de uma mulher.”
Sinceramente, acho que Serena tem grandes chances de agradar q todo mundo.

 

Serena

Desde o sucesso do romance Reparação, a expectativa gerada por um lançamento de Ian McEwan tem sido imensa. Serena pode ser o livro que mais corresponde a essa expectativa, não só por se tratar mais uma vez de uma personagem feminina que revê um momento histórico relevante (aqui, o começo da década de 70), mas, sobretudo, por permitir que o leitor reviva a discussão sobre os limites da literatura como reelaboração da realidade.

Ao ser contratada pelo MI5, o Serviço Secreto Britânico, a protagonista Serena se vê como participante de uma mentira cujo objetivo é fomentar a criação de uma ficção. Isso porque ela é incumbida de estabelecer contato com um escritor a quem não pode contar que é uma espiã, nem que o dinheiro que ele passará a receber virá do Estado. Mas o contexto de toda essa armação é uma guerra muito real, num período bastante violento da história da Inglaterra, especialmente por causa da atividade do IRA.

E, para Serena, o caso envolve ainda sua vida pessoal, tanto no que se refere a seu antigo amante, que a introduziu no MI5, quanto no que se refere ao escritor que é vítima do ardil, por quem acaba se apaixonando. Ela é, portanto, agente e vítima, personagem e criadora, num romance em que todos esses papéis são questionados com fervor. Ora, ao conhecermos a ficção de Tom Healy, o escritor que não sabe que está na folha de pagamento da Inteligência Britânica, já notamos essa curiosa relação entre o real e o fictício, mediada pelo criador. Mas será apenas quando concluirmos a leitura de Serena que teremos a verdadeira dimensão do grau que atingiu essa fusão, tanto na história que estamos lendo quanto na nossa relação com o livro e seus personagens.

A literatura experimental, questionadora, pode adotar várias máscaras. Em seu novo romance, Ian McEwan a veste nos trajes mais discretos e, talvez por isso mesmo, mais eficientes.

Autor: MCEWAN, Ian.
Editora: Companhia das Letras, 2012.
389 páginas.
Tradução: Caetano W. Galindo.

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