Sexta Cinéfila – Gus Van Sant and Last Days

From ripe
To rotten
Too real
To live
(Death To Birth – Pagoda)

 

Alguns filmes são impossíveis de se falar se não citar a cabeça brilhante por trás deles. E Last Days é desses casos.
Gus Van Sant, não é apenas um diretor qualquer. É um dos poucos que ama o
que faz, e não trabalha apenas pelo dinheiro.
Isso, claro, é visível em seus filmes. Faz um simples roteiro virar pura poesia nas telas.
Sua marca registrada são filmes baseados em histórias reais, atores bem preparados, histórias pesquisadas a fundo, e a monotonia em muitas cenas. Belas fotografias.
Entre suas obras mais felizes estão:


– Elefaphant:
O filme baseado no massacre da escola Columbine onde dois estudantes da mesma matam 12 colegas e um professor antes de cometerem suicídio.
O filme mostra a história horas antes do massacre, a vida e os sentimentos de cada um dos alunos mortos.
– Milk – A voz da Igualdade.
Baseado na história do homossexual Harvey Milk que luta pela igualdade de todos na década de 1970.
Ganhou Oscar de melhor ator (Sean Penn) e roteiro original.

Percebe-se que os filmes de Gus não agradam a todos.

Last Days lida com o psicológico do espectador, encerrando a Trilogia da Morte de Gus Van Sant, iniciada com o filme Gerryonde se mostra a morte num caso acidental, causada pela preocupação. Logo após vem Elephanta morte lá é causada por assassinos deliberados, no caso da escola secundária. Em Last Days a morte mostra uma personagem de ego frágil que não soube lidar com a nostalgia.

Livremente baseado nos últimos dias de vida de Kurt Cobain, filme precisa ser apreciado, antes de apenas ser assistido.
Suas criticas não são das melhores – principalmente por fãs do eterno Curt e Nirvana.
Mas, para se entender o filme, tem que assistir duas, três vezes – antes de chegar à conclusão boba de um filme fraco contando a história de um maluco drogado.
É de se entender que fãs de Kurt tenham achado o filme um lixo (ok, ok, não são todos os fãs que acham o filme ruim, modo de dizer gentennn). Ninguém iria gostar de ver a vida de seu ídolo tratada de uma forma tão parada como Last Days.
Michael Pitt que vive Blake no filme dá um show de interpretação, nota-se que o preparo físico e mental para incorporar uma personagem tão forte como Blake.
O espectador consegue captar muito bem os sentimentos e a fase ruim que ele se encontra, não sabendo o que fazer da sua vida e o desejo enorme de sumir, não querendo mais arcar com responsabilidades. Ficar sozinho no Mundo e querendo dar uma pausa na vida.

Pode-se contar nos dedos quem gostou do filme, captando com clareza a dor de Blake, a sua alienação do Mundo, seu desespero. Ele vaga num purgatório particular. Ele evita todos desvanecendo paulatinamente deste Mundo, sugado pelo seu interior.
Gus Van Sant opta por uma observação distante do que acontece com a personagem.
O que existe na caixa que Blake desenterra? Drogas, balas, música? Qual o significado do nome Blake? Sendo uma clara alusão ao poeta William Blake do século 18, cuja esposa proferiu: “A companhia de Mr. Blake é quase nula. Ele encontra-se sempre no Paraíso”.
Os comentários de Kurt Cobain ao leves sussurros pouco perceptíveis:


“I lost something on my way to wherever I am today”.


Last Days não expõe como e nem o porquê da morte de Kurt Cobain, mas deixa uma reflexão sobre a morte para seus espectadores.

trailer:

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7 comentários sobre “Sexta Cinéfila – Gus Van Sant and Last Days

    • Helana Ohara disse:

      Eu também acho triste. Mas para gostar do filme têm que assistir mais vezes. Gus Van Sant é um poeta, poucos diferetores conseguem fazer algo feio torta-se belo e tão realista.
      Ele consegue pegar histórias colocar uma pitada de ficção sem ficar apelativo.

  1. Quando vi o nome do diretor no título do post já pensei logo de cara que não conhecia, mas, mero engano.
    Já assisti Milk e realmente é uma bela obra. Os outros filmes eu ainda não conheço, mas depois vou procurar assistir, pra conhecer melhor o diretor.
    Eu tbm acho mt tristes essas histórias de jovens que morrem afundados em drogas, mas acho legal assistir, pra saber um pouquinho mais.

    Bjok

    • Helana Ohara disse:

      Milk não é um filme, é uma obra. Deste o diretor a escolha dos atores, é perfeito. Tenho a maior admiração pelo Gus, pelo James Franco e Sean Penn, acho que se superaram nesse filme. Um ator para fazer um filme com uma história tão tocante como essa tem que ser um cara muito bom.

      • Concordo plenamente.
        O filme é uma obra, e outro detalhe interessante, é que o tema é super polêmico né? E ele conseguiu abordar de uma forma super prática e sem mostrar demais e nem esconder demais… 🙂

        Bjok

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